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O fim da informação televisiva

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 25.03.13

George Orwell conseguiu prever nos anos trinta a tendência totalitária da organização do poder. A tecnologia iria servir, não a libertação progressiva das pessoas, não a melhoria das suas condições de vida e do seu bem-estar, mas a sua escravização. O Big Brother já está aí e um sistema de comunicação serve nos dois sentidos, o de facilitar a interacção entre as pessoas mas também a possibilidade de controlar as suas vidas. A cultura trash domina em todas as grandes áreas: a informação, a política, a educação, a ciência, a cultura, o entretenimento.

 

Chris Hedges, antigo correspondente de guerra, datou o fim das notícias televisivas em 2003, quando a verdade deixou de ser a razão de ser da informação. Também Robert Redford dedicou um dos seus filmes, Lions for Lambs (2007), a esse dilema jornalístico: fazer parte do corrocel ou ser despedido. Por cá, neste país encravado num constrangimento europeu e entregue a políticos incompetentes, quando podemos datar o fim da verdaeira informação televisiva? 

 

Vale a pena ler e comparar com o que se está a passar actualmente na Europa e como as notícias nos são apresentadas: Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, Chipre. Há omissões não apenas na informação mas também na interpretação dos acontecimentos. 

Foi também assim com as manifestações nas ruas de Atenas, Madrid, Lisboa, e noutras cidades destes países. As fracturas estão expostas, entre o poder organizado de forma concentrada e hermética, e os cidadãos europeus subitamente vulneráveis e sem futuro.

 

Destaquei algumas partes deste The Day that TV News Died

 

I am not sure exactly when the death of television news took place. The descent was gradual—a slide into the tawdry, the trivial and the inane, into the charade on cable news channels such as Fox and MSNBC in which hosts hold up corporate political puppets to laud or ridicule, and treat celebrity foibles as legitimate news. But if I had to pick a date when commercial television decided amassing corporate money and providing entertainment were its central mission, when it consciously chose to become a carnival act, it would probably be Feb. 25, 2003, when MSNBC took Phil Donahue off the air because of his opposition to the calls for war in Iraq.

 

(...)

 

It does not matter that these celebrities and their guests, usually retired generals or government officials, got the war terribly wrong. Just as it does not matter that Francis Fukuyama and Thomas Friedman were wrong on the wonders of unfettered corporate capitalism and globalization. What mattered then and what matters now is likability—known in television and advertising as the Q score—not honesty and truth. Television news celebrities are in the business of sales, not journalism. They peddle the ideology of the corporate state. And too many of us are buying.

 

The lie of omission is still a lie. It is what these news celebrities do not mention that exposes their complicity with corporate power. They do not speak about Section 1021 of the National Defense Authorization Act, a provision that allows the government to use the military to hold U.S. citizens and strip them of due process. They do not decry the trashing of our most basic civil liberties, allowing acts such as warrantless wiretapping and executive orders for the assassination of U.S. citizens. They do not devote significant time to climate scientists to explain the crisis that is enveloping our planet. They do not confront the reckless assault of the fossil fuel industry on the ecosystem. They very rarely produce long-form documentaries or news reports on our urban and rural poor, who have been rendered invisible, or on the wars in Iraq and Afghanistan or on corporate corruption on Wall Street. That is not why they are paid. They are paid to stymie meaningful debate. They are paid to discredit or ignore the nation’s most astute critics of corporatism, among them Cornel West, Medea Benjamin, Ralph Nader and Noam Chomsky. They are paid to chatter mindlessly, hour after hour, filling our heads with the theater of the absurd. They play clips of their television rivals ridiculing them and ridicule their rivals in return. Television news looks as if it was lifted from Rudyard Kipling’s portrait of the Bandar-log monkeys in “The Jungle Book.” The Bandar-log, considered insane by the other animals in the jungle because of their complete self-absorption, lack of discipline and outsized vanity, chant in unison: “We are great. We are free. We are wonderful. We are the most wonderful people in all the jungle! We all say so, and so it must be true.”

 

(...)

 

Chris Hedges escreve bem e, pelo que já pesquisei no Youtube, exprime-se bem nas entrevistas e nas palestras em que é convidado. Tem vários livros publicados sobre os temas mais polémicos para o poder organizado. Não diria que é um rebelde, vejo-o mais como alguém que conquistou a autonomia de pensamento e de acção, própria de um adulto responsável. Paga-se um preço elevado por essa escolha, certo, mas a autenticidade e a harmonia com os próprios valores, uma consciência em paz, é o melhor que alguém pode atingir nesta vida.

 

 

publicado às 19:14

Quem manda realmente? Como se organizou o poder?

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 12.03.13

Os diversos livros de ficção científica e o genial 1984 do George Orwell, os inúmeros filmes desde O Dia em que e Terra Parou (o original, de 51, do Robert Wise) até aos do Spielberg, levou-me a questionar a questão do poder. Quem tem o poder? Como se organizou? Como se vai organizar no futuro? O que nos espera? O que podemos fazer?

 

Depois de George Orwell, que primeiro abanou a realidade arrumada e pacífica dos jardins da minha infância e adolescência, foi Thomas Bernhard, o rebelde e inconformado, que estilhaçou a percepção da bondade e da amabilidade que atribuía aos humanos com que interagi, mesmo que o seu comportamento não se pudesse considerar bondoso nem amável. Felizmente a interacção com os bondosos e amáveis compensou essas arestas.

Arno Gruen foi o autor que primeiro me deu uma perspectiva plausível da origem da linguagem do poder, uma explicação psicológica fiável.

E Alvin Toffler foi o observador que melhor interpretou as implicações da organização do poder na economia, na política, e nas possibilidades de influência do comum cidadão.

 

Recentemente descobri no TED talks uma abordagem interessante, a teoria da complexidade. A conclusão aponta essencialmente para um sistema suto-organizado do poder, em vez da teoria (mais divulgada) da conspiração. Poder altamente concentrado, o que nos torna bastante vulneráveis. Vale a pena ver e ouvir. James Glattfelder não é um grande comunicador mas a qualidade da informação e dos diagramas compensa.

 

publicado às 10:37


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